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O que é trabalho infantil?

O trabalho infantil é toda atividade realizada por crianças e adolescentes abaixo da idade permitida por lei.

Entenda os detalhes no Brasil:

Até os 14 anos:

é proibido qualquer trabalho, independentemente da carga horária ou atividade a ser executada.

Entre 14 e 16 anos:

o adolescente pode trabalhar na condição de jovem aprendiz, com o objetivo de se desenvolver para o mercado de trabalho.

Acima de 16 anos:

o adolescente pode trabalhar, desde que a atividade não ofereça riscos à sua saúde, proteção e desenvolvimento, como atividades perigosas ou no período noturno.

Como denunciar?

Identificar uma situação de trabalho infantil e não saber o que fazer é mais comum do que parece. Mas denunciar é simples, gratuito e pode mudar a vida de uma criança.

Você não precisa ter certeza absoluta para acionar os canais de proteção. A suspeita já é motivo suficiente.

Os principais canais são:

Quanto mais detalhes você puder informar (onde acontece, qual atividade, em que horários, quem está envolvido), mais fácil é a apuração. Mas mesmo sem todas essas informações, vale denunciar. A denúncia é gratuita e o sigilo é garantido.

Jovem Aprendiz não
é Trabalho Infantil

A aprendizagem profissional é uma forma protegida de inserção no mercado de trabalho para adolescentes e jovens. Ela combina: formação teórica, experiência prática, direitos trabalhistas e compatibilidade com a escola. Além disso, a atividade precisa seguir regras específicas e garantir proteção ao desenvolvimento, ou seja, não é qualquer trabalho que se transforma em aprendizagem.

A Lista TIP reúne 93 atividades proibidas para menores de 18 anos por representarem riscos graves à saúde, à segurança e ao desenvolvimento. Ela pode ser dividida em dois eixos principais:

Trabalhos prejudiciais à saúde e segurança

São atividades que expõem crianças e adolescentes a esforço físico excessivo, agentes químicos, calor extremo, maquinário perigoso ou ambientes insalubres. Exemplos:

  • Trabalho em lavouras com uso de agrotóxicos;
  • Atividades em minas, pedreiras e garimpos;
  • Trabalho em matadouros, frigoríficos e curtumes;
  • Construção civil e obras de infraestrutura;
  • Atividades em olarias, cerâmicas e fornos industriais;
  • Trabalho em esgotos, lixões e depósitos de resíduos;
  • Pesca artesanal em alto mar ou em condições de risco;
  • Carregamento e transporte de peso acima do limite permitido para a idade.

Trabalhos prejudiciais à moralidade

São atividades que comprometem o desenvolvimento emocional, psicológico e moral de crianças e adolescentes. Exemplos:

  • Trabalho em bares, boates, casas noturnas e similares;
  • Qualquer atividade em locais de prostituição;
  • Produção, distribuição ou comércio de material pornográfico;
  • Trabalho em ambientes de jogos de azar.

Ocupações da Lista TIP com maior número de adolescentes de 14 a 17 anos no Brasil 

Cuidadores de crianças
54.284
Trabalho agrícola
51.798
Agricultura especializada
39.375
Mecânica de veículos
39.272
Pecuária
30.508

Ajudar em casa é trabalho infantil?

Contribuir com os afazeres domésticos, como lavar a louça, recolher os brinquedos, arrumar a cama ou outra atividade que não seja de responsabilidade exclusiva da criança ou do adolescente não é considerado trabalho infantil. Ao contrário, elas podem contribuir para o aprendizado das crianças e dos adolescentes e estimular o sentimento de pertencimento familiar e social.

No entanto, é importante que a atividade esteja de acordo com a faixa etária, não representando nenhum risco para eles e não interferindo no tempo dedicado aos estudos, ao lazer e ao descanso.

Por que o trabalho infantil ainda existe?

Apesar de proibido, o trabalho infantil persiste no Brasil por razões que vão além da lei. Entender essas causas é o primeiro passo para enfrentá-las.

Famílias em situação de vulnerabilidade podem recorrer ao trabalho precoce como forma de complementar renda.

Muitas pessoas ainda enxergam o trabalho infantil como algo positivo ou necessário.

A dificuldade de acesso à educação, proteção social e oportunidades também contribui para o problema.